Cantão, paraíso natural do Tocantins

Parque reúne três biomas: cerrado, floresta amazônica e pantanal.

Cantão
A região do Cantão situa-se no extremo norte da Ilha do Bananal.    A leste do rio Araguaia, no Tocantins, a vegetação é típica dos cerrados do Brasil central: um mosaico de campos naturais e pastagens plantadas, com florestas de galeria e buritizais e manchas de cerradão remanescentes. A oeste do Araguaia, no Pará, a floresta amazônica de terra firme chega até as margens do rio. A sudoeste do rio está o Pantanal do Rio das Mortes, no Mato Grosso.

Cerrado, floresta amazônica e pantanal. No Tocantins, os três biomas podem ser encontrados em um único lugar, no Parque Estadual do Cantão (PEC). O local é uma unidade de conservação, com área demarcada de aproximadamente 90 mil hectares, que fica entre os municípios de Caseara e Pium, na região centro-oeste  do Tocantins.

O parque, criado em 1998, foi aberto para o uso público esse ano, por meio do projeto Procantão, que consiste na proteção, uso público e monitoramento do parque. Ele é executado por meio de uma cooperação entre o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), o Instituto Araguaia e a Associação Onça d’Água.

 

o Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), por meio do Tropical Forest Conservation Act (TFCA) – conta proveniente de um acordo com os Estados Unidos para investimentos na conservação e no uso sustentável das florestas

O uso público do parque estava previsto no Plano de Manejo do Cantão [plano de uso racional do meio ambiente], como conta a diretora executiva da Associação de Apoio à Unidade de Conservação Onça d’Água, “A ideia é fomentar o ordenamento da atividade turística”,

lembrando que em Caseara o fluxo turístico existia em função da praia e não do ecoturismo. “O bioma amazônico que fica mais perto dos grandes centros é dentro do Tocantins. Assim, fica mais fácil conhecer a Amazônia pelo Tocantins”

 

Ecoturismo

Com fauna e flores ricas, com 55 espécies de mamíferos, 453 de aves, 301 de peixes e 63 espécies de répteis, segundo registros informados pelo Instituto Araguaia, com os rios Araguaia e Coco, o Parque Estadual do Cantão está atraindo turistas, inclusive estrangeiros. Segundo a superintendente de Unidade de Conservação e Educação Ambiental da Onça d’Água, Paula Montenegro, só no mês de agosto deste ano foram registradas 82

6 visitas. E essa mudança reflete também na população local.

Moradores da região fizeram curso de formação para serem condutores de turistas e fazem o trabalho dentro do parque. “Não tem problema a visita, existe um plano de uso público determinando áreas restritas, produtos formatados e trilhas. O turista não pode ficar solto, tem que ter acompanhamento. A maior parte da área não se pode ir porque é de conservação.”

Como a área é de conservação, não se pode cobrar pela visita, apenas os condutores [guias] recebem pelo trabalho oferecido, além disso há também operadoras que disponibilizam pacotes turísticos.

 

Passeios
Para o passeio turístico foi criado o circuito Cega-Machado, composto por um grupo de trilhas com 7500 metros ao redor dos lagos da Benta, das Três Pernas, do Cega-Machado e da Cabana. Esse circuito pode ser dividido em dois trechos: a trilha ao redor do Lago da Benta (A) com 3500 metros; e a trilha ao redor dos lagos Três Pernas, Cega-Machado e Cabana (B) com 4000 metros.

De acordo com informações do Instituto Araguaia, para a abertura do uso público, as duas redes de trilhas existentes foram complementadas por bancos de madeira, sinalização e duas plataformas rústicas para observação da fauna. O parque recebeu uma canoa tradicional com motor elétrico, para atuar na modalidade de visitação, com especificações ideais em termos de baixo impacto e satisfação do visitante.

 

 

A leste do Parque Estadual do Cantão no Tocantins há cerrado, com matas ciliares dos rios em geral bem conservadas. Esses cerrados chegam até as margens do rio do Coco, o limite leste do parque. A oeste, o rio Araguaia marca o limite da floresta amazônica: do outro lado do rio, no estado do Pará, ocorre a floresta ombrófila de terra firme, hoje intercalada com áreas desmatadas pelas grandes fazendas que vem ocupando o sul do Pará. Durante a seca, a formação de lagoas rasas repletas de peixes no interior do parque, onde se reúnem jacarés, jaburus e outras aves pernaltas, é outra característica da região de pantanais e campos alagáveis que se estende desde o Pantanal mato-grossense até o Cantão.